Hoje se foi o homem que mudou o mundo baseado apenas em suas convicções de ética e paz. Aos 95 anos, Nelson Mandela já não tinha mais a saúde de outros tempos e foi vencido.
Nelson Mandela, muito mais que um presidente da África do Sul, foi um artífice da paz. O homem que foi vítima de um sistema de governo que segregava pessoas pela sua cor, o Apartheid. Regime que dividia o país em dois: a África do Sul da minoria branca e cheia de dinheiro e o país dos negros e pobres. Que sequer tinham direito a escolher seu comandante. Que entravam em portas separadas em estabelecimentos, que tinham direito a sentar apenas no fundo dos ônibus. Um país sitiado mas que tinha como contraponto, dois prêmios Nobel da Paz. Além de Mandela, o arcebispo sulafricano Desmond Tutu também ganhou a honraria. Tutu inclusive deu show de simpatia no show que abriu a Copa de 2010.
Mandela foi preso em Robben Island, cumpriu sua pena e saiu para virar o primeiro presidente negro da África do Sul. E toda aquela mágoa que poderia se traduzir em raiva, ódio e vingança se transformou em instrumento agregador. “Madiba”, nome pelo qual os sulafricanos o chamavam, decidiu criar um governo inclusivo. Ele conduziu o país a uma nova realidade. Uma nova bandeira, um novo hino, uma nova terra. Mas sempre preservando traços do que os brancos prezavam. O hino sulafricano é cantado em três idiomas por conta disso.
O filme Invictus mostra bem isso. Quando Mandela decidiu unir o país através do esporte. Esporte esse, o Rugby, que era apenas da população branca e que os negros faziam questão de desprezar. Pois ele conseguiu que seu intento fosse bem sucedido e a partir dalí nascia uma nova África do Sul, a da tolerância. A atmosfera criada culminou em um título sulafricano no Mundial de Rugby de 96. Um feito do tamanho, por exemplo, do Paraguai um dia campeão do mundo de futebol.
Nelson Mandela é um daqueles líderes que farão falta. Seu sorriso largo, sua simpatia, sua obstinação e seu legado deveriam se perpetuar. Não só entre os sulafricanos, mas no mundo. O mundo precisa de mais Madibas. Oxalá isso seja possível.
Descanse em paz, Nelson Mandela! Você merece.
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